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UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ

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Ultima atualização em 28 de Maio de 2026 às 13:47

Economia circular na prática: resíduos de andiroba ganham novo valor.


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Pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Rosa Mourão, Kellyane Cesar e Sandra Sarrazin, em colaboração com pesquisadoras do Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico de Coimbra, Nazaré Pinheiro e Filipa Fonseca, publicaram um estudo inovador que apresenta uma alternativa ecológica para o tingimento têxtil sustentável.

Kellyane Cesar é doutoranda do Programa de PósGraduação/media/file/site/isco/imagens/2026/2b198661-0e0d-4633-9cc4-876c28b535ce.jpeg em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (BIONORTE), no qual Rosa Mourão e Sandra Sarrazin atuam como docentes. O estudo foi desenvolvido durante o doutorado sanduíche de Kellyane Cesar no Instituto Superior de Engenharia, em Portugal, fortalecendo a cooperação científica internacional.


No trabalho, intitulado “Valorization of Carapa guianensis Fruit Waste as a Sustainable Source of Natural Textile Dyes”, as pesquisadoras demonstram o potencial das cascas do fruto da andiroba (Carapa guianensis) como fonte sustentável de corantes naturais para fibras naturais.A pesquisa, que promove a economia circular e a valorização de resíduos amazônicos, foi publicada na edição de 2026 dos anais científicos da 7ª Conferência Internacional WASTES: Solutions, Treatments and Opportunities, pela editora Springer. 


Da comunidade para os laboratórios

/media/file/site/isco/imagens/2026/cf00c65c-e63e-4192-a551-3c9419cd51d4.jpeg O estudo reforça o vínculo entre a UFOPA e as comunidades   tradicionais da região, valorizando o conhecimento local e o   manejo sustentável da floresta. As cascas de andiroba   utilizadas foram coletadas na comunidade de Samaúma (PA),   onde o agroflorestor Adamor Santos, ex-garimpeiro,   desenvolveu, com apoio de professores e estudantes da   UFOPA, uma agroindústria comunitária dedicada à extração a     frio de óleos florestais, incluindo o óleo de andiroba.

A extração do óleo gera uma grande quantidade de cascas, antes descartadas como resíduo. O estudo identificou que esse material, rico em taninos (compostos naturais com forte capacidade de pigmentação), apresenta potencial para ser utilizado como alternativa aos corantes sintéticos, conhecidos pelo elevado impacto ambiental e toxicidade.




Inovação limpa e de qualidade
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Buscando uma abordagem totalmente ecológica, a equipe de pesquisa extraiu o corante a partir do pó de cascas, utilizando solventes verdes, como a água, sem recorrer a solventes químicos agressivos.


O extrato natural foi aplicado no tingimento de fibras como algodão, linho, lã e seda, resultando em uma paleta elegante de tons beges e cinzaacastanhados. Os testes demonstraram excelente fixação e resistência ao desbotamento, tanto sob exposição prolongada à luz solar quanto após lavagens com água fria e quente. 

 

 

 

 

 

Impacto socioambiental
 

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A pesquisa mostra como a Ciência pode gerar soluções concretas para os   desafios ambientais globais.

  • Ao agregar valor a um resíduo florestal, o estudo contribui para:
  • reduzir o impacto ambiental da indústria têxtil;
  • promover alternativas sustentáveis aos corantes sintéticos;
  • fortalecer cadeias produtivas comunitárias;
  • criar oportunidades de renda para populações amazônicas que trabalham para manter a floresta em pé;

Mais do que transformar resíduos em novos produtos, a pesquisa demonstra como ciência, floresta e conhecimento tradicional podem caminhar juntos na construção de uma economia mais sustentável e socialmente inclusiva.

Parcerias
Para a viabilização do estudo, as pesquisadoras destacam a contribuição de importantes parceiras: a empresa portuguesa Tintex Textiles S.A., responsável pelo suporte técnico especializado e pela disponibilização de fibras têxteis naturais utilizadas nos ensaios, e a marca paraense de moda sustentável Xibé, que colaborou com tecidos naturais e com a troca de conhecimentos sobre práticas de tingimento têxtil natural, fortalecendo o diálogo entre ciência, inovação e saberes tradicionais.